A atual cena musical paulistana é, com larga vantagem, a mais pulsante do país. Nos bares e casas da Vila Madalena, Pompéia e Rua Augusta, com o testemunho de um público jovem e ávido por boa música, acontecem alguns dos melhores momentos de uma geração – não só de São Paulo – que desponta com muita identidade e coragem de quem sabe chegar.
São cantores, cantoras, compositoras e compositores, uma infinidade de instrumentistas que, talvez se valendo do fato de estarem no maior pólo de recepção cultural do país, souberam condensar toda essa efervescência e transformar, como em nenhuma outra parte, em música.
Pensando nisso, resolvir escrever uma série de cinco posts com dez artistas bastante significativos dessa geração. Como a safra atual é das mais generosas em qualidade e quantidade, o único critério observado foi meu gosto pessoal e o limite de dois discos lançados. De qualquer forma, acho que ela está bem representada. Aqui vai um pouquinho do novo perfil da música que anda fazendo a cabeça da paulicéia.
Marcelo Jeneci
Marcelo Jeneci tem 28 anos e um vasto currículo como músico e compositor. Iniciou a carreira aos dezessete, quando passou a integrar a banda de Chico César e, desde então, não mais parou de colaborar com grandes expoentes da música brasileira como Elza Soares, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zélia Duncan e Vanessa da Mata. Com Vanessa, inclusive, foi responsável pelo grande tema de novelas de 2008 com a canção “Amado”, de “A Favorita”. Também pôde ser ouvido nos folhetins globais na voz de Leonardo com a bela canção “Longe”, na qual divide a autoria com Arnaldo Antunes.
Porém, o talento desse paulistano de lindas melodias – que tem no piano e acordeon sua grande força de expressão – poderá ser melhor descoberto ainda este semestre, quando deverá ser lançado seu primeiro trabalho solo. O repertório? Eu desconheço. Mas, desconfio, esta canção deve estar:
Juliana Kehl
Da nova geração de São Paulo, um dos mais consistentes debut de 2010 foi o de Juliana Kehl. Cantora e compositora de grande sensibilidade, Juliana lançou um belíssimo álbum no qual assina dez, das doze faixas. É um trabalho requintado, no qual contemporaneidade e tradição caminham ladeadas o que, por si só, já é um grande feito.
Além da estética bem apurada, Juliana demonstra um canto seguro, desafetado, extraindo da voz exatamente o que a canção requer. A prova disso é a interpretação de “Outras Mulheres” (Joyce/Paulo César Pinheiro) na qual a personagem - promíscua e de espírito livre – ganha novos ares de ternura e compreensão. Como compositora, revela delicadeza e inteligência, em canções que emocionam e nos fazem embarcar na alma dessa paulistana que, no compasso de sua “Rede de Varanda” , sabe embalar.
Adorei o texto! Obrigada.
Bjs
Ju