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	<title>Eu não ouvi todos os discos</title>
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	<description>Uma homenagem a Zico, Kusturica, Oscar Wilde e Waldick Soriano</description>
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		<title>Eu não ouvi todos os discos</title>
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		<title>Fazendo amigos no açougue</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 19:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[                        Na esquina do meu prédio tem um açougue. Não sei se é o melhor da região, o que serve os melhores cortes, as carnes mais nobres ou o açougueiro mais simpático. Mas, certamente, é o mais badalado. Pensando bem, &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/09/30/fazendo-amigos-no-acougue/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=174&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>                        Na esquina do meu prédio tem um açougue. Não sei se é o melhor da região, o que serve os melhores cortes, as carnes mais nobres ou o açougueiro mais simpático. Mas, certamente, é o mais badalado. Pensando bem, deve ser o pior da região. Pelo menos uma vez por semana eu saio de casa, cumprimento uma senhorinha muito afável que vive na calçada, contorno a farmácia, disparo um olhar libidinoso para os bolinhos de café da padaria e, dali mesmo, diviso a inacreditável fila que se forma entre o supermercado e um quiosque de comida japonesa. É lá que desperdiçarei a próxima hora sobrevivendo ao cheiro de miúdos de carneiro, mexericos da vizinhança e ao impulso irresistível de roubar a maldita faca de cabo branco e ser capa da edição seguinte do Meia Hora com o título: &#8220;Carne humana vira artigo de luxo em açougue de Copacabana&#8221;.</p>
<p>                          No início, para domar a ansiedade, costumava levar meu iPod atulhado de álbuns do João Gilberto para, entre um &#8220;Bim Bom&#8221; e outro, me imaginar no Carnegie Hall elevado pelo violão do mestre. Não deu muito certo. Por lá circula Sandoval, um orgulhoso ambulante pernambucano que demonstra toda sua devoção através de uma bata estampada com a bandeira do Náutico e uma diabólica caixinha de som que dispara frevos com tamanha potência, que o próprio Ariano Suassuna teve que se levantar da cadeira de balanço lá no Recife para intervir: &#8220;Dos quatro cantos cheguei e todo mundo chegou pra te mandar desligar essa porra, Sandoval&#8221;!</p>
<p>                         Alguns meses depois, contaminado pelo vírus TVB (Twitter via Blackberry), resolvi comprar um aparelinho e aproveitar o tempo gasto no açougue lendo recadinhos da Revista Péssima e, claro, twittando os mais escabrosos desaforos contra aquela birosca. Para meu assombro, certa tarde um crioulo de 1,91m, usando terno branco e sapatos alaranjados, solicitou-me gentilmente uma conversa ao pé do ouvido. &#8220;É você que anda achincalhando o nosso estabelecimento na internet ? (Pausa para engolir seco). O mundo tá ao contrário e só eu não reparei. Nunca imaginei que o açougue da esquina tivesse twitter. E o pior. Ele me seguia. Restou-me apenas assumir minha covardia e correr para casa para fechar a conta daquela porcaria de invenção dedo-duro. Passei uma semana frequetando restaurantes vegetarianos.</p>
<p>                         Foi nesses dias que, enfastiado de tanta lasanha de beringela e espetinhos de cenoura, desenvolvi uma nova estratégia (&#8220;Seu 05, tenha a bondade&#8221;). Passei a chegar no final da tarde, quando a clientela é mais heterogênia, e observar os tipos que compunham aquele universo tão fascinante. O passatempo consistia em decifrar a personalidade de cada um a partir da variedade e quantidade das carnes que procuravam. Assim, despido das vestes da intolerância, comecei a me divertir imaginando, por exemplo, que aquela distinta senhora de cabelos vermelhos e andar vacilante, com 3 kg de filé mignon no balcão, deveria ter sido uma jovem roqueira nos anos 70, adepta do amor livre e que, de tanto usar LSD, ficou sequelada e se transformou numa péssima dona de casa. Muito criticada pelo marido e pelo filho mais velho, resolveu fazer uma surpresa e provar que ela podia, sim, dar conta de um delicioso filé ao molho de cogumelos no jantar. Restava saber, apenas, que cogumelos eram esses.</p>
<p>                         Também passava por lá um desses garotões típicos de cidades praianas, bermudas largas, camiseta no ombro, e uma prancha quebrada debaixo do braço. Provavelmente era fã do Franz Ferdinand, frequentador de rodas de samba em Madureira, bom no pôquer, mas que perdeu a namorada pro melhor amigo porque não contava que ele tivesse uma sequência de Ás na mão. Ele comprou somente meio-quilo de linguiça, o que, de fato, corroborava a tese. Isso sem falar na minha vizinha, uma loira espetacular que nunca suspeitei que frequentasse aquele ambiente. Ela solicitou uma dica pro açougueiro para comemorar seis anos de casamento. Queria preparar alguma coisa bem especial. Confesso que minha cabeça entrou em torpor, a imaginação não foi suficiente e tive que recorrer ao velho copo na parede pra dar conta do que se passou no apartamento ao lado naquela noite.</p>
<p>                          E assim as insuportáveis idas ao açougue se transformaram em grande atração. O segurança especialista em moda virou meu amigo, sempre discuto com o Sandoval sobre futebol (ele garante que próximo ano nos enfretaremos na segunda divisão) e até passei uma receita de carneiro ao leite de côco para o velhinho do caixa. Nunca deixei de observar o pedido dos clientes, mas acho que tamanho exercício de criativiade não anda me fazendo bem. De acordo com o porteiro, minha vizinha pediu o divórcio. Outro dia ela passou pelo açougue apenas para amolar uma faca. Logo depois, quis conselhos sobre o preparo de um coração ao molho pardo. E, por fim, estava interessada em adquirir um freezer com capacidade para 240 litros. Minha espinha ficou gelada, não pude conter a imaginação, claro, mas quanta preocupação à toa. Pobre mulher. Tá na cara. Ela não pode nem cozinhar um javali em paz?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/174/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/174/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=174&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A arte da implicância</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 14:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<category><![CDATA[implicância]]></category>
		<category><![CDATA[Koyle Royale]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>                        João Henrique é um publicitário de sucesso, graduado por uma prestigiada instituição brasileira e professor de um curso de verão na universidade francesa <span style="font-family:Times New Roman;">Pierre-et-Marie-Curie.</span> Sua agência de propaganda detém dezenas de contratos importantes e, na última década, faturou seis vezes o &#8220;Prêmio Midas da Mídia&#8221;, concedido por uma badalada rede de bijouterias. Convive com Luciana, advogada especialista em Direito Desportivo, desde que ambos cursavam a oitava série e dividiam cachorro-quente no pátio do Colégio Marista &#8211; onde, numa certa manhã de apetite, em troca do maior pedaço de salsicha, ela o fez prometer trocar o ferrugento bugre 78 por um carro de vergonha. Só assim ela aceitaria o pedido de namoro.</p>
<p>                        Dois filhos e cinco mudanças de endereço depois, Joãosinho &#8211; como é conhecido nos arredores da paulistana Vila Madalena &#8211; tem apenas uma desarmonia com a esposa: sua implicância com tudo que diz respeito ao seu trabalho ou idiossincrasias. É sempre assim: basta aparecer na TV um comercial com sua assinatura para, segundos depois, soar o alarme: &#8220;Mas essa tomada, hein, quem dirigiu foi a Paris Hilton?&#8221;. Ou ainda: &#8220;Nossa, quem foi a produtora de casting? Esse ator parece uma couve-flor estragada&#8221;.</p>
<p>                         Apesar de desagradável, o hábito, alimentado pela esposa com tanta diligência, seria francamente esquecido não fosse a completa falta de respeito que Luciana demonstra por outra &#8211; esta, sim, muito mais valiosa e preeminente &#8211; questão na vida de João: sua coleção de quadrinhos Tex. Durante as longas viagens para assinatura de contratos de jogadores de futebol, o único pedido que a advogada recebe do marido é algum exemplar das aventuras do cowboy. Ultimamente, devido às sucessivas frustrações, nem mais se dava ao trabalho de escolher: aceitava mesmo uma revista repetida, um recorte de jornal, um chaveirinho qualquer, desde que percebesse na esposa alguma deferência pela sua paixão. Não só Luciana jamais trouxe um mísero folheto como, dias atrás, ameaçou se livrar de pelos menos duas estantes de gibis para abrir espaço para um aparelho de ginástica 4 em 1 comprado à vista no Shoptime. Com o seu cartão de crédito, claro.</p>
<p>                        Inebriado pela amargura, o que João parece não perceber é que a implicância, como pode atestar qualquer roteirista de Hollywwod, é a melhor medida de quem ama. Mais que o ciúme, tesão, horas gastas no telefone ou presentes de viagem para o pessoal do escritório. A implicância repousa solene, além do amor. Cristo, por exemplo, disse: &#8220;Amai-vos uns aos outros como eu vos amo&#8221; porque conhecia os limites da alma humana. Nós podemos amar tão bem um desconhecido (aquela garçonete do japonês da esquina, um cantor de bolero, um candidato populista) e facilmente somos suscetíveis à caridade e à compaixão. Mas a implicância é um sentimento mais vigoroso e profundo. É a arte da constância.</p>
<p>                        Para o bom implicante é necessário estar presente, vivenciar o dia-a-dia, desbravar a natureza do outro. Implicar requer companheirismo. Também é indispensável estar à espreita, ter faro de oportunidade, precisão. Implicar requer paciência. Claro que é fundamental ter proximidade, ascendência, saber ouvir e ser relevante ao falar. Implicar, para melhor efeito, requer intimidade. Mas, no fim das contas, o que mais conta é a parcialidade, a admiração, a observância. Porque implicância é, antes de tudo, reconhecimento. É a admissão do outro tal como ele é, e, mais urgentemente, como uma de nossas partes. Não por acaso mães implicam com filhos, filhos implicam com irmãos, irmãos com amigos, amigos com esposas, esposas com maridos que implicam&#8230; com suas mães (e um pouco com as mães delas também). E nessa eterna ciranda de crises e ressentimentos, o que resta são as horas de silêncio e perdão quando, enfim, percebemos que as desanvenças são, na verdade, a enxada que remexe a terra para o amor florescer.</p>
<p>                        Por isso, João, o melhor a fazer é ir para casa e escolher com calma um bom disco da Aretha Franklin. Quando Luciana chegar, pode recebê-la com um beijo ou uma taça de <span style="font-family:Times New Roman;">Koyle Royale</span>. Escolha o que causar melhor efeito. E, depois de revisitar o seu dia e destilar saudades, você irá confessar, enquanto dançam de rosto colado, que, hoje pela manhã, assim que ela saiu com as crianças, você incendiou aquela fantasia da Barbarela que ela guardava desde o primeiro baile da escola. Ela vai deixar a taça cair, levar as mãos à nuca e, num grito incontido de desespero e incredulidade, fará, enfim, a pergunta fatal: &#8220;Mas por quê?&#8221; Você, impassível como só enamorados incendiários conseguem ser, responderá docemente: &#8220;Por que hoje, meu amor, é a minha vez de demonstrar o quanto eu amo você!&#8221;.</p>
<p><span style="font-size:medium;">　</p>
<p></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/172/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/172/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=172&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Geração SP(1)</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 16:31:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[                        Continuando a série de posts sobre a nova cena de São Paulo,  resolvi falar sobre dois artistas não paulistanos, bastante diferentes entre si, mas que têm em comum o fato de pertecerem à mesma gravadora, terem os discos eleitos entre os &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/28/geracao-sp1/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=142&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:medium;">                        Continuando a série de posts sobre a nova cena de São Paulo,  resolvi falar sobre dois artistas não paulistanos, bastante diferentes entre si, mas que têm em comum o fato de pertecerem à mesma gravadora, terem os discos eleitos entre os dez melhores do ano de 2009, e uma forte identidade poética e musical: a pernambucana Lulina e o paranaense Bruno Morais.</span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><strong> </strong></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><strong>Lulina</strong></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"> </span></div>
<div><span style="font-size:medium;">                          Lulina começou a fazer barulho após uma série de discos caseiros, gravados com microfones de computador e instrumentos desafinados, concebidos sem a menor pretensão de serem levados a sério e, talvez por isso, foram. O convite para lançar o álbum por uma gravadora veio após a olindense &#8211; radicada em São Paulo há muitos anos &#8211; já possuir diversos admiradores, conquistados, sobretudo, pelo despojamento das canções e o surrealismo de suas letras. Temas como doenças, extras-terrestres, e minhocas, são recorrentes no trabalho da artista que, segundo amigos, é a única habitante de um planeta distante chamado &#8220;Lulilândia&#8221;.</span></div>
<div><span style="font-size:medium;">                         Assim surgiu &#8220;Cristalina&#8221;, álbum com 18 faixas autorais que possibilitou a Lulina a oportunidade de &#8220;profissionalizar&#8221; suas canções. O resultado é delicado, confessional e surpreendente. Seu canto doce e a inventividade dos arranjos contrastam com a estranheza de versos como &#8220;treze palmos abaixo da terra/ conversando com as minhocas&#8221; ou &#8221; sangue de E.T. tem poder&#8221; que, ao contrário do que possam sugerir, servem como alegorias para observações mordazes sobre o comportamento humano e fazem de Lulina um caso muito particular na nova produção do país.</span></div>
<div><span style="font-size:medium;"> </span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/28/geracao-sp1/"><img src="http://img.youtube.com/vi/TY5D8GDRdfY/2.jpg" alt="" /></a></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><strong> </strong></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><strong>Bruno Morais</strong></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"> </span></div>
<div><span style="font-size:medium;">                      </span><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">  <span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;">Ao voltar do Red  Bull Music Academy &#8211; laboratório de criação mundial de música, realizado em Seattle, EUA &#8211; Bruno Morais tinha um material tão farto nas mãos que resolveu aproveitá-lo no seu trabalho seguinte, então, em fase de concepção. Convocou o produtor e amigo Guilherme Kastrup e, em meados do ano passado, veio à tona &#8220;A Vontade Superstar&#8221;, segundo álgum desse paranaense natural de Londrina, que contou com a participação de mais de 40 músicos e arranjadores de diversas nacionalidades. </span></span></span></span><span style="font-size:medium;"> </span></div>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;">                        Bruno é um excelente cantor e o acento pop de suas composições não disfarça seu pé no samba. Não por acaso, um dos grandes charmes do disco são as releituras de &#8220;O Mundo é Assim&#8221; (Alvaiade) e &#8220;Pode sorrir&#8221; (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), dois exemplos exponenciais do que se produzia nos morros cariocas décadas atrás. Entre as canções de sua lavra, &#8220;A Vontade&#8221;, &#8220;Bombeiro Vermelho&#8221; e &#8220;Hoje vou te acordar&#8221; são as minhas preferidas. Um grande disco de um artista que merece ser descoberto.</span></span></p>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/28/geracao-sp1/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Vlxo9cGVrTw/2.jpg" alt="" /></a></span></span></span></div>
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		<title>Geração SP</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 14:27:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[geração sp]]></category>
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		<category><![CDATA[nova música de são paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[                         A atual cena musical paulistana é, com larga vantagem, a mais pulsante do país. Nos bares e casas da Vila Madalena, Pompéia e Rua Augusta, com o testemunho de um público jovem e ávido por boa música, acontecem alguns &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/27/geracao-sp/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=124&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                         A atual cena musical paulistana é, com larga vantagem, a mais pulsante do país. Nos bares e casas da Vila Madalena, Pompéia e Rua Augusta, com o testemunho de um público jovem e ávido por boa música, acontecem alguns dos melhores momentos de uma geração &#8211; não só de São Paulo &#8211; que desponta com muita identidade e  coragem de quem sabe chegar.</span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                         São cantores, cantoras, compositoras e compositores, uma infinidade de instrumentistas que, talvez se valendo do fato de estarem no maior pólo de recepção cultural do país, souberam condensar toda essa efervescência e transformar, como em nenhuma outra parte, em música.</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                          Pensando nisso, resolvir escrever uma série de cinco posts com dez artistas bastante significativos dessa geração.  Como a safra atual é das mais generosas em qualidade e quantidade, o único critério observado  foi meu gosto pessoal e o limite de dois discos lançados. De qualquer forma, acho que ela está bem representada. Aqui vai um pouquinho do novo perfil da música que anda fazendo a cabeça da paulicéia.</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">　</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><strong>Marcelo Jeneci</strong></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                         Marcelo Jeneci tem 28 anos e um vasto currículo como músico e compositor. Iniciou a carreira aos dezessete, quando passou a integrar a banda de Chico César e, desde então, não mais parou de colaborar com grandes expoentes da música brasileira como Elza Soares, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zélia Duncan e Vanessa da Mata. Com Vanessa, inclusive, foi responsável pelo grande tema de novelas de 2008 com a canção &#8220;Amado&#8221;, de &#8220;A Favorita&#8221;. Também pôde ser ouvido nos folhetins globais na voz de Leonardo com a bela canção &#8220;Longe&#8221;, na qual divide a autoria com Arnaldo Antunes.</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                       Porém, o talento desse paulistano de lindas melodias &#8211; que tem no piano e acordeon sua grande força de expressão &#8211; poderá ser melhor descoberto ainda este semestre, quando deverá ser lançado seu primeiro trabalho solo. O repertório? Eu desconheço. Mas, desconfio, esta canção deve estar:</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=UP6XJKwZBU4"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/27/geracao-sp/"><img src="http://img.youtube.com/vi/UP6XJKwZBU4/2.jpg" alt="" /></a></span></a></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><strong> </strong></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><strong>Juliana Kehl</strong></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                         Da nova geração de São Paulo, um dos mais consistentes <em>debut</em> de 2010 foi o de Juliana Kehl. Cantora e compositora de grande sensibilidade, Juliana lançou um belíssimo álbum no qual assina dez, das doze faixas. É um trabalho requintado, no qual contemporaneidade e tradição caminham ladeadas  o que, por si só, já é um grande feito.</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;">                        Além da estética bem apurada, Juliana demonstra um canto seguro, desafetado, extraindo da voz exatamente o que a canção requer. A prova disso é a interpretação de &#8220;Outras Mulheres&#8221; (Joyce/Paulo César Pinheiro) na qual a personagem - promíscua e de espírito livre &#8211; ganha novos ares de ternura e compreensão. Como compositora, revela delicadeza e inteligência, em canções que emocionam e nos fazem embarcar na alma dessa paulistana que, no compasso de sua &#8220;Rede de Varanda&#8221; , sabe embalar.</span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/27/geracao-sp/"><img src="http://img.youtube.com/vi/t8W-0fytPOo/2.jpg" alt="" /></a></span></span></span></span><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"> </span></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:medium;"><span style="font-size:medium;"> </span></span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/124/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=124&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vinte canções para viver e morrer de amor</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 15:07:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[                   &#8220;O amor quando acontece&#8230;&#8221;, já dizia Abel Silva em uma das mais belas obras do cancioneiro brasileiro, é como música nos escombros de New Orleans, Zico na diretoria do Flamengo ou Flávio Dino candidato ao governo do Maranhão: renovam-se &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/08/01/vinte-cancoes-para-viver-e-morrer-de-amor-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=102&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:medium;">                   &#8220;O amor quando acontece&#8230;&#8221;, já dizia Abel Silva em uma das mais belas obras do cancioneiro brasileiro, é como música nos escombros de New Orleans, Zico na diretoria do Flamengo ou Flávio Dino candidato ao governo do Maranhão: renovam-se as esperanças e &#8220;&#8230;a gente esquece logo que sofreu um dia&#8221;. Toda manhã parece ser de carnaval, toda cidade parece ser Roma, toda bebida, Jack Daniel&#8217;s, e é como se vivêssemos eternamente em um poema de Cesar Vallejo.</span></p>
<p>                    No entanto, como bem sabem os marinheiros e os terapeutas comportamentais, o amor é um rio tormentoso e em seu curso há lodo e relva além da água cristalina. A conquista, não por acaso, é sua doce nascente. A paixão, os primeiros conflitos e as horas de trégua, formam o leito, e a separação &#8211; preguiçosa e agônica &#8211; seu morredouro. No entanto, como para cada curso d&#8217;água deste mundo mil canções são feitas &#8211; e tantas canções foram feitas para o amor &#8211; cabe uma pergunta: qual seria a trilha sonora desta eterna travessia?</p>
<p>                   Muito embora seja uma questão, por natureza, insolúvel, resolvi enumerar vinte canções brasileiras que embalariam bem um romance. Distribuidas em quatro momentos &#8211; de acordo com a intensidade do amor (ou da corrente de água) &#8211; compartilho agora com vocês. Faço apenas duas observações: aos que encontram-se nas fases 1 ou 2, por favor, tirem as crianças da sala e ouçam tudo no volume máximo. Acreditem, vale à pena. Já aos que travam os penosos momentos das fases 3 ou 4, uma súplica: desfaçam-se das armas e suspendam os destilados. A todos uma boa viagem!</p>
<div><strong>Fase 1: Nascente ou &#8220;Foi no instante em que te vi&#8221;</strong></div>
<div><strong> </strong><strong> </strong><strong> </strong>         </div>
<div>                          Em seu penúltimo disco a mineira Ceumar gravou uma pérola do repertório de Dante Ozetti e Luis Tatit chamada <strong>Achou. </strong>Os versos &#8220;Como estou com muito amor pra dar, eu dou/ Quem estiver atrás de um grande amor, achou&#8221; são de uma entrega comovente. Uma outra opção é a delicada<strong> Doralinda, (</strong>Cazuza) que promete &#8220;Eu queria te dar a lua, só que pintada de verde,&#8230;e as estrelas de uma árvore de Natal&#8221;. Há ainda a previdente<strong> Foi no mês que vem, </strong>de Vitor Ramil, que assegura &#8220;Que seja antes minha que de outrem&#8221;e, para os mais incisivos, as auto-explicativas<strong> Eu tenho uma camiseta escrita Eu te Amo, </strong>de Wander Wildner e<strong> Um dia desses eu me caso com você, (</strong>Paulo Diniz/Torquato Neto), parecem ter sido feitas sob encomenda.</div>
<div><strong> </strong></div>
<div><strong>Fase 2: Primeira Margem ou &#8220;De tanto imaginar loucuras&#8221;</strong></div>
<p>                  Quando Rita Lee e Roberto de Carvalho escreveram <strong>Mania de Você</strong> talvez não se dessem conta de que realizavam uma das mais vibrantes declarações de amor da música brasileira. O verso &#8220;Meu bem você me dá água na boca&#8221; é uma espécie de sacramento para os casais apaixonados. Há, no entanto, os mais reverentes, como o gênio Elomar que escreveu em <strong>Cantada</strong>: &#8220;Amada&#8230;nesta madrugada somos apenas mistérios de Deus&#8221;. Ou a singeleza de Arnaldo Antunes que, em <strong>O seu olhar</strong>, garante: &#8220;O seu olhar melhora o meu&#8221;; e Vitor Martins em <strong>Doce Presença</strong>: &#8220;Agora sei que somos iguais/ E, se duvidares, tem as minhas digitais&#8221;. Em todo caso, sempre alguém pode preferir a revelação pela voz de Magal e gritar: <strong>O meu sangue ferve por você.</strong></p>
<p><strong>Fase 3: Segunda Margem ou &#8220;Não demora eu tô de volta, tchau&#8221;.</strong></p>
<p>                   Sim, o amor começou a ruir, as personalidades entraram em conflito e Vanessa da Mata acertou em cheio quando extravasou: <strong>Você vai me destruir</strong>. Se você sente-se sufocado pela onipresença da sua parceira (o), conforte-se: Lenine, quando escreveu <strong>Hoje eu quero sair só,</strong> também passava por isso. Há ainda problemas graves de relacionamentos que Biafra, em <strong>Mundos Diferentes</strong>, e a dupla João Bosco e Aldir Blanc, em <strong>Incompatibilidade de Gênios</strong>, trataram tão bem. Em último caso, quando a vingança passa a ser opção, <strong>Isso não vai ficar assim, meu bem</strong>, de Itamar Assumpção, é um chute na veia.</p>
<p><strong>Fase 4. Foz ou &#8220;Não volte nunca mais pra mim&#8221;</strong></p>
<p>                   Ah, mestre Cartola, se eu pudesse escrever<strong> Acontece</strong>. Que obra-prima! Chico Buarque não fica por menos em <strong>Trocando em Miúdos</strong>, nem o rei Roberto em <strong>Do fundo do meu coração</strong>. Mas, se fosse para dar o beijo fatal, ficaria mesmo com Alvin L em <strong>Eu nunca te amei, idiota</strong>, ou Rogério Skylab com <strong>O primeiro tapa é meu</strong>. Uma maravilha! (Que foi? Não gostou? Ora bolas, some já daqui!)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/102/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=102&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cenas de um casamento</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 22:23:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[                         São 14h15 de uma tarde calcinante em São Luís. Ainda no portão de desembarque, uma linda morena vestida de Ceci me entrega um folder no qual leio rapidamente algo sobre as maravilhas dos Lençóis Maranhenses. Imediatamente respondo com meu &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/07/07/cenas-de-um-casamento/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=83&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:medium;">                <span style="font-size:medium;">        <span style="font-size:medium;"> São 14h15 de uma tarde calcinante em São Luís. Ainda no portão de desembarque, uma linda morena vestida de Ceci me entrega um folder no qual leio rapidamente algo sobre as maravilhas dos Lençóis Maranhenses. Imediatamente respondo com meu melhor sorriso e um convite para jantar. Ela me vira a cara. Já passou um ano desde minha última passagem pela cidade e seria necessário muito mais que a negativa de uma indiazinha mequetrefe para minguar meu entusiasmo por chegar em casa. Ao redor, pais, namorados, agentes de viagem e, desconfio, um contrabandista, aguardam eufóricos a chegada de suas gentes. Com algum esforço cruzo o cordão da ansiedade e institivamente olho para o lado à procura daqueles que iriam me receber com ovações, faixas e uma transbordante caneca de cerveja para mitigar o calor. Não há ninguém. (O vôo não se atrasou, a viagem está marcada há mais de três meses, alguém teria cometido um atentado?). Contorno colericamente o saguão principal em busca de um olhar, um aceno, uma voz familiar e, após uma hora de tragédia pessoal, decido, enfim, admitir a ruína: eu fora esquecido no aeroporto. Busco conforto no motorista do táxi que me levaria em casa, mas um breganejo no volume máximo do Siena branco malogra a minha tentativa de consolação. Melhor se preparar para o embate furioso que se aproxima.</span></span></span></div>
<p>                        Entro no elevador tentando recordar todos os impropérios que Dona Jacira, minha vizinha da Rua da Arquietura, ensinara-me quando criança. Abro a porta sofregamente e, antes mesmo que pudesse balbuciar o xingamento de abertura, alguém me arrasta pelo braço e dispara: &#8220;Bruninho, que bom que você chegou! Me ajuda aqui com esse vestido&#8221;? Saio meio cambaleante tentando me equilibrar entre o vão de entrada e uma caixa de sapatos e só então me dou conta da cena desesperadora: na sala, uma multidão de primas, tias, amigas das primas, amigas da tias, avós, tias-avós, primas-avós, uma irmã e duas mães &#8211; proeza de um pai de santo do interior que achou que assim falicitaria as coisas &#8211; se engalfinham em busca de alfinetes e opiniões sobre os vestidos para o casamento. Ainda atônito, consigo me livrar da mulher de chapéu violeta &#8211; que só depois reconheci como minha primeira babá &#8211; e procuro guarita no escritório. Tranco a porta, dou duas voltas na chave e, enquanto recobro o fôlego, percebo alguém de costas, aparentemente hipnotizado, numa contagem frenética que, em princípio, imaginei ser uma espécie de mantra. Ao me ver, atalhou:</p>
<p>                       &#8211; Cinco, seis, sete&#8230;Oi, meu filho, como foi a viagem? Dez, onze, doze&#8230; acho que o Lucas ficou de lhe pegar no aeroporto depois que resolvesse o probleminha do bolo. Quinze, dezesseis, dezessete.. ele foi? Você nem imagina a loucura que está isso aqui. Vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro&#8230;o cerimonial ligou para avisar sobre o ensaio? Quarenta, quarenta e um, quarenta e dois&#8230; Ufa! Meu filho, me diga uma coisa: você acha que quarenta e cinco litros de whisque são suficientes? Neste momento, entre o choro e o riso, resolvo vivenciar a cristã doutrina do perdão e, com os pés descalços, sento no chão decidido a ajudar meu pai a organizar as garrafas.</p>
<p>                        A principal razão do meu retorno a São Luís neste extenuante julho é o casamento do meu irmão. Além da doçura que caracteriza ele e a noiva &#8211; e os torna um casal irresistível &#8211; ambos foram o primeiro amor na vida um do outro, passaram sete anos sem contato e, ao se reencontrarem, cederam ao enlace do destino. Noivaram e, amanhã, um beijo, entre tantos, selará esse amor e dará início a uma grande e temida festa. Isto porque sérias preocupações quanto ao comportamento da minha família têm me rendido horas de pânico.</p>
<p>                        Minha mãe, por exemplo, munida de receitas clandestinas, comprou cinco caixas de Valium &#8211; das quais faz uso sistemático há duas semanas &#8211; e a única frase que consegui depreender desde que cheguei foi: &#8220;Aaalguém por aíi quer uuma baaalinha?&#8221; Minha irmã entrou em colapso desde que soube que uma vizinha da noiva usará brincos iguais aos seus, e agora dedica-se apenas a estudar a &#8220;técnica Van Gogh&#8221; para arranque de orelhas. Isso sem falar no meu tio-avô, manguaceiro de carteira assinada, que há 4 meses só bebe água se resguardando para a festa. Houve a necessidade, então, de contratar alguém para ficar de olho na chave geral.</p>
<p>                        Para evitar tanta dor de cabeça, o noivo, que mora em São Paulo, sabiamente preferiu chegar apenas três horas antes da cerimônia. O problema é que eu, incumbido de recepcioná-lo, estou muitíssimo ocupado com a despedida de solteiro. E lamento muito não ter esquecido um disco da Maysa dentro do Siena branco. Acho que alguém mais no aeroporto vai precisar de um táxi.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/83/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=83&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Inverno da Alma</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 01:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[banzo]]></category>
		<category><![CDATA[inverno]]></category>
		<category><![CDATA[maranhão]]></category>
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		<description><![CDATA[                      O fenômeno se repete a cada mês de junho, muito embora os primeiros sinais sejam percebidos quando maio principia. Insidioso, possui a característica cruel de ser precedido por longos períodos de chuva e um calor fustigante &#8211; o que &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/06/23/o-inverno-da-alma/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=76&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:medium;">                      O fenômeno se repete a cada mês de junho, muito embora os primeiros sinais sejam percebidos quando maio principia. Insidioso, possui a característica cruel de ser precedido por longos períodos de chuva e um calor fustigante &#8211; o que sugere às vítimas uma falsa sensação de intimidade e pertencimento. Sua chegada costuma desencadear as mais diversas reações, porém, as mais frequentes são: ressecamento dos lábios, rigidez nas extremidades do corpo e melancolia ao fim do dia.</span></div>
<div><span style="font-size:medium;">                       Você, que seguiu como um pajem as recomendações para abastecer o guarda-roupa com meias de lã e casacos alcochoados, visitou uma infinidade de sites em busca de um chuveiro elétrico barato &#8211; e acabou pagando caro porque, de tanto pesquisar, os outros já haviam sido vendidos &#8211; entra em desespero. O mau-estar não cessa. Até que, numa gélida noite de domingo, o telefone toca. Do outro lado da linha uma voz eufórica e indistinguível, abafada pelo rufar de mil matracas e pandeirões, dá a deixa: é São João no Maranhão e o que você está sentindo não é apenas a inclemência do inverno.</span></div>
<div><span style="font-size:medium;">                      Desde o início do século XVI quando os primeiros navios negreiros aportaram na costa brasileira, a palavra banzo é ouvida por aqui. Inconformada com a tirania dos portugueses, uma parte dos negros africanos trazida como escravos para o Brasil entrava num estado de tristeza profunda, recusando-se, inclusive, a se alimentar. Acabavam morrendo. Inicialmente utilizado para designar a enfermidade, o termo ao longo dos anos foi encontrando novos significados na linguagem do povo que, sabiamente, preferiu lembrar a causa &#8211; não o efeito &#8211; e lhe outorgou o sinônimo de saudade. É este sentimento que aterra vários de nós, maranhenses expatriados no sul e sudeste do país, quando chega esta época do ano na qual o frio cresce à medida que as fogueiras incendeiam São Luís.</span></div>
<p><span style="font-size:medium;">                      A coincidência é irônica porque, como bem sabiam os africanos que ajudaram a ceifar esta terra, banzo é o inverno da alma. É quando a distância nos dói insuportável e nos jardins da memória vicejam pequenas lembranças &#8211; cheiro de comida pronta, barulho de mãe chegando em casa e o melhor beijo da namorada. No entanto, é junho, e todas as lembranças parecem estar cobertas de penas amarelas, maracá na mão e cantando uma nova toada em lá menor. (E um cheiro de arroz de cuxá e torta de camarão invade a sala, e o barulho da mãe enfeitando a casa toma as ruas, e o beijo da namorada tem mais gosto porque em junho sempre chove e tudo fica bonito como um filme de Kurosawa). Nestas horas, desterrados bem agasalhados ganham o mundo à procura de um lugar aprazível, de preferência que sirva doce de cupuaçu, disponha de uma garrafa de cachaça amarga e alguém que ajude a carregar um coração pesado. </p>
<p>                      O curioso é que isto é possível. Em São Paulo, por exemplo, há o Morro do Querosene que há mais de vinte anos abriga uma festa comandada pelo grande Tião Carvalho, e funciona como uma espécie de enfermaria para conterrâneos de alma adoecida. Ou a deliciosa &#8220;Feira de São Cristóvão&#8221;, no Rio de Janeiro que, apesar de possuir um caráter mais heterogêneo, reserva um recanto maranhense com direito a Guaraná Jesus e radiola de reggae. Mas isto não basta.</p>
<p>                      Não basta ao mergulhador a superfície, ele pretende o fundo. Não basta ao montanhista a gruta, sua condição é o pico. Como não basta ao arquiteto o traço sem o edifício, ao penitente, o flagelo sem a dor, à dor, o choro sem o grito. E enquanto ouve uma canção antiga numa esquina qualquer da grande cidade, o banzeiro segue sonhando com caboclos de pena, tambores de onça, caixeiras do divino e as índias do Boi de Nina Rodrigues. A voz escura diz que &#8220;não há sonho mais lindo do que sua terra&#8221; e ele percebe que o poeta tem razão. É quando se dá conta que ainda não utilizou todos os dias de férias do ano, restaram alguns trocados no banco desde que decidiu adiar a reforma da casa, e não apagara o e-mail sobre as promoções de lançamento de uma nova companhia aérea. E, com a felicidade de quem recebe uma herança inesperada, passa a mão no telefone. Do outro lado da linha, uma voz eufórica e indistiguível, abafada pelo rufar de mil matracas e pandeirões, parece não entender nada do que diz. Ele volta pra casa com leveza nos passos e, enquanto arruma as malas, se diverte imaginando a reação do amigo no dia seguinte, ao encontrar na sua caixa de mensagens o recado inescapável: &#8221; Com a benção de Santo Antônio e São Pedro, em homenagem a São João. Pode se preparar. Eu tô chegando&#8221;.</p>
<p><em> </em></p>
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<p></span></p>
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		<title>O ano da morte de José Saramago</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 17:32:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[josé saramago]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[o ano da morte de josé saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[                      José morava havia dezessete anos na pequena ilha de Lanzarote, um recanto paradisíaco situado no arquipélago espanhol das Canárias, próximo à costa da África, lugar que escolheu como refúgio quando, em 1992, entrou em rota de colisão com a &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/06/18/o-ano-da-morte-de-jose-saramago/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=55&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>                      José morava havia dezessete anos na pequena ilha de Lanzarote, um recanto paradisíaco situado no arquipélago espanhol das Canárias, próximo à costa da África, lugar que escolheu como refúgio quando, em 1992, entrou em rota de colisão com a Igreja Católica e o governo português pela proibição de sua mais recente obra. Mantinha um rotina rígida, supervisionada pela esposa diligente que, empenhada em possibilitar a reflexão e ócio necessários ao ofício do marido, ficava responsável pela administração da casa e tarefas de escritório. Aos que perguntavam, justificava escrever apenas duas páginas por dia &#8211; mesmo quando poderia produzir mais &#8211; com o argumento de que assim, ao cabo de um ano, teria 720 páginas prontas para serem publicadas. Acreditava que, desta forma, teria respeitado o sagrado período da depuração.</p>
<p>                       Nasceu pouco depois da Primeira Grande Guerra, na província de Azinhaga, região de Ribatejo, Portugal, mas ainda na primeira infância mudou-se para Lisboa. Filho da classe operária, teve sérias dificuldades para concluir os estudos, trabalhando como mecânico, desenhista, jornalista e funcionário público até que, enfim, assumiu o posto de direção em uma editora local e pode aproximar-se daquela que seria sua única e devota religião: a literatura.</p>
<p>                       José foi vencedor do prêmio Nobel, era ateu, comunista e casou-se duas vezes. Enquanto amealhava ardorosos admiradores que celebravam a exuberância do seu texto, acumulava, em larga proporção, detratores e inimigos pelas posições anti-clericais e anti-imperialistas que adotava publicamente. Certa vez, para desespero das ordens religiosas, afirmou que a Bíblia é &#8220;um manual de maus costumes, um catálogo de crueldades&#8221;. Também foi acusado de anti-semitismo pela defesa contundente que promovia do Estado da Palestina, e foi duramente criticado pelas esquerdas quando retirou seu apoio incondicional a Fidel Castro após a execução de três cidadãos cubanos em 2003.</p>
<p>                       Ao contrário do célebre poema de Drummond, este José tem identidade. Foi um dos maiores escritores da língua portuguesa desde que Camões a inventou e, talvez, tenha sido o último gigante a habitar o país do romance. O nome Saramago, apelido herdado do pai, transformou-se em título de nobreza na literatura mundial, chancela de refinamento e erudição e, sobretudo, referência pela forma  &#8211; na palavra - e conteúdo &#8211; na vida. Ao longo de mais de sessenta anos de prática literária, nos ensinou a não temer parágrafos longos e também a respeitar a vastidão do mundo. Mostrou que travessões e aspas podem ser um entrave ao diálogo, ainda que menores que a intolerância religiosa e a opressão de classes. Demonstrou que o estoicismo é a pedra fundamental do caráter humano e que a voz de um grande escritor jamais sucumbe ao exílio.</p>
<p>                      Apaixonado pela obra de Fernando Pessoa, escreveu em 1984 o livro &#8220;O ano da morte de Ricardo Reis&#8221;, em homenagem ao poeta conterrâneo. A este seguiram-se obras-primas como &#8220;Jangada de Pedra&#8221;, o controverso &#8220;O Envangelho segundo Jesus Cristo&#8221; e &#8220;Ensaio sobre a cegueira&#8221;, seu primeiro romance a ser transformado em filme. Ao seu último trabalho deu o nome de &#8220;Caim&#8221;, recebido pela crítica como mais uma contestação aos dogmas católicos e já concebido em meio a graves problemas de saúde.</p>
<p>                       Se o legado do maior prosador lusitano do nosso tempo ainda não pode ser medido, a sua morte passa a ser lembrada instantaneamente. Não apenas como uma efeméride de resenhas literárias mas como um grande acontecimento do mundo. E ainda que o Brasil seja pela sexta vez campeão de futebol, Marina Silva torne-se a primeira mulher negra a chegar ao Palácio do Planalto, ou um novo vulcão se lance sobre os céus da Europa, o ano de 2010, para os amantes de literatura, terá sempre um outro símbolo. Passa a ser, de agora em diante, &#8220;O ano da morte de José Saramago&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/55/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=55&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O novo cinema sul-coreano</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 19:34:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[cinema sul-coreano]]></category>
		<category><![CDATA[joint security area]]></category>
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		<description><![CDATA[                             Ontem à noite, enquanto no Rio de Janeiro os termômetros indicavam 15°C e a televisão não cansava de noticiar a modorrenta atuação da Seleção Brasileira na estréia da Copa do Mundo, resolvi mandar o futebol às favas e assistir &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/06/16/na-coreia-do-sul-tem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=16&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:small;">                             Ontem à noite, enquanto no Rio de Janeiro os termômetros indicavam 15°C e a televisão não cansava de noticiar a modorrenta atuação da Seleção Brasileira na estréia da Copa do Mundo, resolvi mandar o futebol às favas e assistir a mais um exemplar da recente produção cinematográfica sul-coreana. O filme escolhido foi <em>Joint Security Area</em>, do cultuado diretor Park Chan -wook, responsável pela <em>Trilogia da Vingança, </em>e uma espécie de Quentin Tarantino asiático. Para  meu deleite, trata-se de um filmaço, que só corrobora a tese defendida por muitos de que vem da Coréia do Sul o maior sopro de vitalidade no cinema contemporâneo.</span></div>
<div><span style="font-size:small;">                             </span><span style="font-size:small;">Pensando nisso, resolvi fazer um pequeno apanhado sobre alguns dos melhores momentos da cinematografia do país nesta década. Acabei privilegiando as obras dos três diretores mais célebres no Brasil que, além de Park Chan-wook, também costuma receber com entusiasmo os trabalhos de Kim- Ki-duk e Bong Joon-ho. São filmes aos quais assisti e que, evidentemente, afinam-se com meu gosto pessoal mas que, espero, possam oferecer um panorama  àqueles que queiram conhecer um pouco mais sobre uma escola de cinema não muito difundida mas que, certamente, vale a pena ser descoberta.</span><span style="font-size:small;"><span style="font-size:small;"> </span><span style="font-size:small;"> </span></span></div>
<div><span style="font-size:small;"> </span></div>
<p><strong>Park Chan -wook</strong> <span style="font-size:small;"> </span></p>
<div><strong><em>Old Boy (2004)</em></strong></div>
<div><strong><em>  </em></strong><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/old-boy1.jpg"><strong><em><img class="alignnone size-full wp-image-19" title="old-boy" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/old-boy1.jpg?w=213&#038;h=300" alt="" width="213" height="300" /></em></strong></a><strong><em> </em></strong></div>
<div><span style="font-size:small;">Talvez o mais conhecido entre todos os que integram esta lista, é o segundo e mais bem resolvido filme da <em>Trilogia da Vingança</em>, iniciada com <em>Mr. Vingança</em> (2002) e completada com <em>Lady Vingança</em> (2005). Conta com uma atuação momumental de Choi Min-sik e alguns momentos antológicos, como uma sequência de luta digna de Playstation e uma inusitada experiência gastronômica com um polvo. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2004, é uma obra-prima pop, cáustica e irreverente, que disseminou o talento do diretor mundo afora e ajudou a sedimentar a fama da produção de seu país.</span><span style="font-size:small;"><strong><em> </em></strong></span></div>
<div><strong><em> </em></strong></div>
<div><strong><em>Joint. Security. Area (2000)</em></strong></div>
<div><strong><em> </em></strong></div>
<div><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/jsa.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-18" title="jsa" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/jsa.jpg?w=210&#038;h=300" alt="" width="210" height="300" /></a></div>
<div> <span style="font-size:small;">A zona limítrofe entre a Coréia do Norte socialista e a Coréia do Sul capitalista é mínima, altamente militarizada e um grande foco de tensão. Os anos de incomunicabilidade e o ódio disseminado de parte a parte impedem qualquer chance de aproximação entre os soldados, muito embora apenas uma pequena ponte &#8211; sugestivamente batizada de &#8220;Ponte sem Regresso&#8221; - separe os dois povos. Quando um membro do exército sulista tem sua vida salva por dois soldados do norte, tem início uma grande e improvável amizade que, inevitavelmente, caminha para um terrível fim. Seria apenas mais um filme sobre a estupidez da guerra, um tanto banal pela fragilidade do argumento, mas que ganha frescor e relevância nas mãos de um grande estilista.</span><span style="font-size:small;">　</span></div>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Bong Joon-ho</em></strong></p>
<p><strong><em>O Hospedeiro (2006)</em></strong><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/host.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-21" title="host" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/host.jpg?w=200&#038;h=285" alt="" width="200" height="285" /></a></em></strong></p>
<p><span style="font-size:small;">O meu maior prazer com esta produção que levou mais de 13 milhões de sul-coreanos aos cinemas foi, enfim, poder vibrar com os chamados &#8220;filmes de monstro&#8221;. Nunca fui um entusiasta do gênero, confesso, mas a estética personalíssima e híbrida de Bong Joon-ho, aliada a um humor cítrico e uma contundente crítica sociopolítica, fazem deste um dos grandes filmes orientais da década. Não por acaso foi vencedor de 14 prêmios, entre eles o Asian Films Awards de 2007, e o da Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Horror dos EUA.<span style="font-size:small;"> </span></span><span style="font-size:small;"><span style="font-size:small;"> </span></span><strong><em> </em></strong></p>
<div><strong><em>Mãe (2009)</em></strong></div>
<div><span style="font-size:small;"><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/motherbong.jpg"><strong><em><img class="alignnone size-full wp-image-22" title="motherbong" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/motherbong.jpg?w=270&#038;h=180" alt="" width="270" height="180" /></em></strong></a></span></div>
<div><span style="font-size:small;"><strong><em> </em></strong></span></div>
<div><span style="font-size:small;"><span style="font-size:small;">Mais uma vez o diretor saiu vencedor de um dos principais festivais de cinema asiático &#8211; o AFA de 2009 &#8211; com este filme denso, perturbador e que atesta, inelutavelmente, a capacidade criadora de Bong Joo-ho. Ao contar a saga de uma mãe desesperada para provar a inocência do filho injustamente acusado de assassinato, ele se revela um mestre na arte de imprimir naturalidade ao absurdo e faz o público embarcar, não sem dor, num mergulho vertical em direção ao limite. Trata-se de filme pesado que, não obstante a brilhante maneira com que é conduzido, tem no desempenho da atriz principal um de seus pilares. Ao contrário de <em>O Hospedeiro, </em>encontrou seu público no circuito de arte tendo, inclusive, concorrido ao Festival de Cannes no ano passado.</span></span><span style="font-size:small;"><span style="font-size:small;"><span style="font-size:small;"><strong><em>　</em></strong></span></span> </span><em><strong> </strong></em></div>
<div>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong>Kim Ki-duk</strong></em></p>
<p><strong><em>Casa vazia(2004)</em></strong></p>
<div><span style="font-size:small;"><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/casa_vazia1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-23" title="casa_vazia" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/casa_vazia1.jpg?w=187&#038;h=300" alt="" width="187" height="300" /></a></span></div>
<div><span style="font-size:small;">Kim Ki-duk é um grande &#8220;compositor de imagens&#8221;. Seu estilo minimalista, adepto de eloquentes silêncios e supressão de qualquer grandiloquencia, o faz um caso à parte entre a Santíssima Trindade sul coreana. Talvez por isso seja o meu preferido. <em>Casa Vazia</em> é um filme lindíssimo, que conta a história de um romântico invasor de casas que se apropria da vida de seus moradores enquanto eles estão fora. Até que um dia, inadvertidamente, ele encontra Sun-hwa, uma mulher solitária, refém da violência do marido, que o segue em sua jornada clandestina e inconformada. A maior qualidade do filme é a delicadeza com que o diretor conduz o espectador, sem quase nenhum diálogo ou explicação, só a pungência das imagens e olhares, que nos faz comungar com os personagens e espreitar a nossa própria solidão.</span><span style="font-size:small;"> </span></div>
<p><span style="font-size:small;"><strong><em> </em></strong></span></p>
<p><span style="font-size:small;"><strong><em>Fôlego </em></strong><strong><em>(2007)</em></strong></span></p>
<p><a href="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/folego.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-27" title="fôlego" src="http://batistabruno.files.wordpress.com/2010/06/folego.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Mais uma vez Kim Ki-duk aborda aspectos da solidão e incomunicabilidade contemporânea com um olhar poético e compassivo. Uma mulher, após comprovar a infidelidade do marido, se interessa pela história de um homem setenciado à morte e passa a visitá-lo na prisão. Ambos dão início a um incomum romance e assumem suas mais devastadoras consequências. Um filme que deve muito a Michelangelo Antonioni e, sem dúvida, é mais uma investida do diretor rumo à fronteira pouco povoada entre cinema e poesia.</p>
</div>
<div> </div>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong> </p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/batistabruno.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/batistabruno.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=16&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>* A Copa de cada um</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 00:11:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Batista</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[copa]]></category>

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		<description><![CDATA[                      Usando chinelos bem maiores que os pés e uma camisa do Flamengo suja de picolé de goiaba, o garoto brinca pela casa. Corre o ano de 1986 e, muito embora a família reunida no meio da sala atrapalhe a montagem &#8230; <a href="http://batistabruno.wordpress.com/2010/06/09/a-copa-de-cada-um/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=batistabruno.wordpress.com&amp;blog=14126230&amp;post=3&amp;subd=batistabruno&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>                      Usando chinelos bem maiores que os pés e uma camisa do Flamengo suja de picolé de goiaba, o garoto brinca pela casa. Corre o ano de 1986 e, muito embora a família reunida no meio da sala atrapalhe a montagem do autorama, ele não se incomoda. Ver a casa cheia é uma delícia. Só não entendeu muito bem quando seu tio disse: &#8220;Mas se ele tava em campo, ele tinha que bater&#8221;. O pai, inconsolável, redarguiu: &#8220;Ele tá voltando agora e tinha acabado de entrar. A culpa é do Telê&#8221;. E foi assim, entre suspiros lúgrubes e muita fumaça de cigarro, que o garoto descobriu que o nosso genial camisa 10 havia perdido um penâlti e a França eliminara o Brasil da Copa do Mundo do México. Levou anos até que compreendesse que, se numa mesma partida Zico, Platini e Sócrates desperdiçaram suas cobranças, Deus só podia estar muito ocupado torcendo para a Argentina.<br />
                      Itália, 1990. Além das indefectíveis madeixas de Caniggia e do nome proscrito de Sebastião Lazaroni, a maior lembrança que o garoto guardou daquele ano foi o lançamento do Kadett Turim, uma série especial em homenagem à Copa do Mundo, lançada pela GM, que foi um grande sucesso de vendas. Aquele mundial, vencido pela Alemanha de Lothar Matthäus, ficou marcado por ter sido um dos mais opacos da história. Como se não bastasse, foi a única vez em que perdemos para o nosso maior rival em mundiais. Talvez realmente fosse melhor esquecer&#8230;<br />
                      É bem verdade que quatro anos mais tarde, nos EUA, o país sede não dava a mínima pro soccer, algumas partidas foram disputadas em campos improvisados e a gravata (e os comentários) do Pelé eram qualquer nota. Mas, aquilo sim, foi inesquecível. É ali, entre os 12 e os 15 anos de idade, que o futebol definitivamente finca suas travas no coração das gentes, que homens de fala rude e pés calosos tornam-se nossos heróis de mármore e a bola passa a ser a deusa tirana da nossa paixão. É nessa época que os times ficam eternizados, que os lances se perpetuam na memória e que, por isso, até hoje, em alguma gaveta da memória, Roberto Baggio ainda está partindo para aquela bola - para isolar aquela bola - e tornar o garoto, de uma forma nunca antes experimentada, mais feliz.<br />
                      Aquele garoto hoje estréia esta coluna. E pede licença para compartilhar estas lembranças sobretudo com vocês que, como eu em 1994, estão no despertar para o futebol. Vocês, que pouco se preocuparam com a barriga do Ronaldo na Alemanha, e que, daqui a quatro anos, terão mais com o que se preocupar. Vocês, que consideram nosso treinador teimoso como uma porta porque não levou o Ronaldinho mas, sim, o Josué. E que serão os mesmos que, daqui a sessenta anos, se tivermos sido campeões, não ligarão mais bulhufas para isso. Porque terão esquecido até de almoçar, mas ainda saberão a escalação completa daquele time. Concordarão que ainda era muito cedo para convocar o Neymar e celebrarão a idéia do Elano  aberto pela direita. Porque futebol nunca foi menos que isso. É a subversão da realidade e um brinde à fantasia. É tudo aquilo a que vocês têm direito, portanto, aproveitem. Mas de uma coisa fiquem certos: se por acaso o molho desandar na África do Sul, não adianta vir me cobrar. Eu admito, tive sorte. Na Copa da minha vida, sempre que a família se reunia na sala e o Brasil entrava em campo, o nosso camisa 11 era o Romário. E meu pai e meu tio, naquele ano, pararam de fumar. E pararam de discutir. E eu, vestido de verde e amarelo, pude, enfim, brincar em paz&#8230;</p>
<p>* Texto publicado originalmente na versão impressa de O IMPARCIAL em 09.06.10, com algumas alterações.</p>
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